Na Umbanda, direita e esquerda representam o bem e o mal?
- TUEG LONDRES

- há 5 dias
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Descubra por que essa divisão não representa forças opostas, mas diferentes maneiras de acolher, proteger e orientar aqueles que procuram auxílio espiritual.
Para muitas pessoas, essa descoberta acontece na primeira gira. Para outras, leva meses. Há até quem frequente um terreiro durante anos sem compreender completamente o significado dessas duas palavras. Isso acontece porque, fora da Umbanda, fomos ensinados desde cedo a associar a direita ao bem e a esquerda ao mal. Quando chegamos ao terreiro, trazemos essa ideia conosco. Aos poucos, porém, percebemos que a espiritualidade trabalha de outra maneira.
Basta observar uma gira para notar que todas as entidades acolhem, orientam, protegem e trabalham em benefício daqueles que procuram ajuda. Caboclos fazem isso. Pretos Velhos também. Exus e Pombagiras fazem exatamente o mesmo, embora utilizem recursos diferentes.
Mas então se todas as entidades trabalham para a luz, por que algumas pertencem à direita e outras à esquerda? Existe uma linha mais evoluída? Uma é mais forte do que a outra? Ou estamos falando apenas de formas diferentes de atuação?
O que realmente significam direita e esquerda?
Na Umbanda, direita e esquerda não representam uma divisão entre forças boas e forças más, mas, sim, diferentes formas de trabalho espiritual.
Uma comparação simples ajuda a compreender essa ideia. Imagine um hospital. Nem todos os profissionais exercem a mesma função. Alguns acompanham pacientes durante meses, orientam tratamentos e ajudam na recuperação. Outros atuam em situações mais delicadas, realizando procedimentos complexos para salvar uma vida. Todos trabalham pelo mesmo objetivo. O que muda é a natureza do trabalho e os recursos necessários para realizá-lo.
Na Umbanda acontece algo semelhante. As linhas da direita costumam atuar através de energias mais sutis, favorecendo o acolhimento, a orientação, o fortalecimento da fé, o equilíbrio espiritual e os processos de cura. Caboclos, Pretos Velhos, Erês e, no TUEG, a Linha do Oriente, são exemplos dessa forma de atuação. Cada linha possui características próprias, mas todas ajudam o consulente a encontrar mais clareza, fortalecimento e equilíbrio para enfrentar os desafios da vida.
Já as linhas da esquerda trabalham com energias mais densas. Isso não significa que sejam negativas. Significa apenas que atuam em situações que exigem outro tipo de intervenção espiritual. Exus, Pombagiras, Exus Mirins, algumas linhas de Malandros e de Marinheiros, realizam trabalhos de proteção, quebra de demandas, limpeza energética, encaminhamento espiritual e fortalecimento daqueles que precisam recuperar seus próprios caminhos.
Quem já trabalha na corrente costuma perceber essa diferença na prática. A energia de uma gira de Caboclos não é igual à de uma gira de Exus. O ambiente muda. A forma de incorporação muda. Até a maneira como as entidades se comunicam muda. Nada disso acontece porque uma linha seja superior à outra, mas porque cada uma precisa manipular energias diferentes para cumprir sua missão.
No TUEG, entendemos que todas essas linhas trabalham para o mesmo propósito. O Caboclo que orienta um consulente, o Preto Velho que acolhe alguém em sofrimento e o Exu que quebra uma demanda estão oferecendo auxílio espiritual. Cada um faz isso utilizando os recursos que lhe pertencem.
Por que a esquerda ainda gera tanto preconceito?
Grande parte desse preconceito nasce da forma como aprendemos a enxergar a palavra "esquerda". Durante muitos anos, diferentes interpretações religiosas fizeram com que Exus e Pombagiras fossem associados ao mal, criando uma imagem que pouco tem relação com aquilo que encontramos dentro da Umbanda.
No TUEG, Exu é compreendido como um guardião. Sua função não é causar sofrimento, mas proteger caminhos, enfrentar energias densas e fazer cumprir aquilo que precisa acontecer dentro das leis espirituais. Da mesma forma, as Pombagiras trabalham o amor-próprio, a autoestima e a autonomia. Já os Exus Mirins realizam importantes trabalhos de limpeza energética e encaminhamento espiritual. Quando trabalham na Esquerda, os Malandros mostram que inteligência e estratégia podem ser usadas com ética e responsabilidade, enquanto os Marinheiros ensinam a encontrar equilíbrio mesmo em meio às instabilidades da vida, ajudando aqueles que atravessam períodos de ansiedade, sofrimento emocional ou grandes mudanças.
Talvez uma comparação feita pelo Pai Marcos ajude a compreender essa diferença. Quando uma pessoa apresenta um problema simples de saúde, muitas vezes um tratamento leve é suficiente. Mas existem situações em que será necessário recorrer a procedimentos muito mais intensos. Isso não torna o tratamento ruim. Apenas significa que o problema exige outro tipo de recurso.
A esquerda atua justamente nesses contextos. Existem demandas espirituais que não podem ser resolvidas apenas através do acolhimento ou da orientação. Elas exigem entidades preparadas para lidar com energias mais densas, desfazer trabalhos espirituais, encaminhar espíritos e proteger aqueles que chegam ao terreiro buscando ajuda. Esse é o trabalho da esquerda. Não porque ela represente o mal, mas porque possui condições de atuar onde outras linhas normalmente não atuam.
Muito além dos lados
Quando compreendemos o verdadeiro significado de direita e esquerda, percebemos que essa divisão existe apenas para organizar diferentes formas de atuação dentro da Umbanda. Ela não estabelece uma hierarquia entre as entidades nem define quais linhas seriam mais importantes.
Ao longo da caminhada espiritual, todos nós passamos por momentos diferentes. Em alguns deles, encontramos acolhimento nas palavras de um Preto Velho. Em outros, é a firmeza de um Exu que nos ajuda a romper padrões, proteger nossos caminhos ou enfrentar situações difíceis. Há dias em que precisamos da leveza de um Erê. Em outros, buscamos a objetividade de um Caboclo ou o restabelecimento da saúde física e emocional proporcionada pela Linha do Oriente. Todas essas experiências fazem parte do mesmo caminho de crescimento espiritual.
Talvez seja justamente por isso que, dentro de um terreiro, não faz sentido perguntar qual linha é melhor ou mais importante. A pergunta mais valiosa é outra: de que auxílio você precisa neste momento da sua caminhada? A resposta e o suporte que busca podem vir de diferentes entidades que trabalham tanto na direita como na esquerda. O importante é lembrar que, na Umbanda, todas as linhas caminham na mesma direção: a caridade, o acolhimento e o amparo daqueles que buscam a luz.
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