top of page

Qual a importância do padrinho e da madrinha na caminhada espiritual – e o que isso tem a ver com o batismo na umbanda?


Dentro da Umbanda, a caminhada espiritual não acontece de forma isolada. Ela é construída a partir de vínculos, responsabilidades e referências que ajudam a organizar e a instalar o aprendizado, promovendo amadurecimento a partir da vivência da fé. É nesse contexto que surge a figura do padrinho e da madrinha espirituais, personagens centrais para quem inicia ou aprofunda sua relação com a religião.

 

O padrinho e a madrinha não são títulos simbólicos nem escolhas aleatórias. Eles representam cuidado, orientação e responsabilidade espiritual. São pessoas que acompanham o afilhado em sua trajetória, auxiliando na compreensão dos fundamentos da religião e da casa, na leitura dos próprios processos espirituais e na construção de uma relação mais consciente com a Umbanda. Na prática, funcionam como pontos de apoio e referência ao longo da caminhada.

 

Essa relação não se baseia em autoridade pessoal, mas em hierarquia espiritual. O respeito ao padrinho ou à madrinha não está ligado à obediência cega, mas ao entendimento de que a espiritualidade também conta com uma estrutura de organização, definida com base na experiência e responsabilidade de cada um. Aprender na Umbanda exige escuta, humildade e disposição para reconhecer quem já percorreu parte do caminho.

 

Ao mesmo tempo, trata-se de uma relação de troca. O padrinho orienta, mas também assume o compromisso de zelar. O afilhado aprende, mas precisa se comprometer com sua própria caminhada. Esse vínculo, estabelecido nesses termos, é essencial para sustentar a caminhada tanto dos padrinhos quanto do afilhado e, consequentemente, torna-se um dos pilares que sustentam o axé de uma casa.

 

O batismo na Umbanda como marco dessa relação espiritual

O batismo na Umbanda é um dos ritos mais significativos da caminhada espiritual, justamente por marcar o início de um compromisso consciente com a religião. Contrariando o senso comum, não se trata de um ritual simbólico nem uma formalidade religiosa. O batismo representa uma escolha pessoal de caminhar segundo os princípios da Lei de Umbanda.

 

Na Umbanda, pais e mães de santo são espiritualmente e legalmente habilitados a conduzir os ritos sacramentais da religião, como o batismo, o casamento e os ritos fúnebres. Cabe a eles garantir que esses ritos sejam realizados de acordo com a doutrina da casa e a orientação da espiritualidade dirigente, respeitando os fundamentos e a diversidade existente dentro da própria Umbanda.

 

A palavra batismo tem origem no grego báptisma e baptismós, termos derivados do verbo baptízō, que significa imergir, mergulhar ou submergir. Na Antiguidade, esse verbo era utilizado para indicar o ato de colocar algo dentro de um líquido de forma profunda e intencional. Na Umbanda, esse conceito é compreendido de maneira simbólica e espiritual. O batismo representa a imersão do indivíduo nas forças que regem sua fé, marcando um processo de purificação, consagração e alinhamento espiritual com o sagrado. Não se trata apenas de um gesto ritual, mas de um compromisso consciente com a caminhada espiritual escolhida.

 

É importante esclarecer que o batismo não transforma automaticamente alguém em médium nem impõe obrigações imediatas dentro da corrente da casa. Ele não define funções, cargos ou desenvolvimento mediúnico. O que ele estabelece é um compromisso espiritual consciente, vivido no tempo e no ritmo de cada pessoa. Por isso, cada casa possui seus próprios critérios e entendimentos sobre quando e como realizar o batismo.

 

O rito de batismo e a importância dos padrinhos nesta cerimônia

O batismo na Umbanda é realizado em ambiente ritualístico, geralmente semelhante a uma gira, com pontos cantados, rezas e fundamentos próprios da casa. Esses elementos organizam o campo espiritual necessário para a consagração do batizando e garantem que o rito aconteça de acordo com a tradição e a orientação da espiritualidade dirigente.

 

Entre os elementos utilizados, a água ocupa lugar central. Presente em diferentes tradições religiosas, ela simboliza purificação e renovação. Na Umbanda, representa as forças das Mães Orixás, como Iemanjá, Oxum e Nanã. A água do mar está associada à renovação e à dissolução de cargas espirituais, enquanto a água de cachoeira simboliza equilíbrio e reorganização energética. Em algumas casas, o rito também pode incluir óleos consagrados, banhos ritualísticos e a pemba, utilizada para firmar energeticamente a ligação do batizando com a corrente e com os Orixás.

 

É nesse contexto que a presença de padrinhos e madrinhas ganha importância. Mais do que acompanhar o rito, eles assumem a função de sustentar espiritualmente o batizando ao longo de sua caminhada. Neste ritual, o padrinho e a madrinha oficializam seu compromisso de orientar, proteger e acompanhar o afilhado dentro e fora do terreiro. Trata-se de um vínculo que se fortalece no batismo e se consolida diariamente, no cotidiano da vida espiritual.

 

Essa relação ajuda a organizar a caminhada do afilhado, oferecendo referência, escuta e direção. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que a Umbanda é vivida em comunidade, com responsabilidade compartilhada e respeito à hierarquia espiritual que sustenta o axé da casa.

 

Por isso, a escolha dos padrinhos e madrinhas deve ser feita com cuidado. Não se trata apenas de proximidade afetiva, mas de afinidade espiritual e postura dentro da religião. O padrinho ideal é alguém que conhece os fundamentos da casa, respeita a hierarquia espiritual e tem disponibilidade real para acompanhar o afilhado. Sempre que possível, essa escolha deve ser feita com diálogo e com a orientação do dirigente espiritual, evitando decisões apressadas ou baseadas apenas em laços pessoais.

 

Vale lembrar que não é necessário fazer parte da corrente ou trabalhar na casa para se batizar. O batismo é, antes de tudo, um ato de fé e compromisso espiritual, acessível também àqueles que ainda estão se aproximando da Umbanda. Cada casa define seus critérios, sempre respeitando o livre arbítrio e a diversidade ritualística característica da religião.

 

Em 2026, o TUEG realizará novas cerimônias de batismo. São momentos de grande significado espiritual, que fortalecem vínculos, organizam a caminhada dos filhos de fé e reafirmam a Umbanda como um espaço de acolhimento, responsabilidade e axé. Fique de olho no nosso calendário e participe dos nossos trabalhos!

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page